Jovens transformam dificuldades de mobilidade numa alternativa de sobrevivência
A forte chuva que caiu recentemente na zona sul da província de Maputo voltou a expor os desafios de mobilidade enfrentados por várias comunidades. Neste contexto, a ligação rodoviária entre Mulotana e Malhampsene ficou inundada, impossibilitando a circulação normal de viaturas. Como consequência, surgiu uma solução improvisada: o transporte de pessoas às costas, conhecido localmente como “neneca”, ao custo de 50 meticais por pessoa.
Desde então, moradores e transeuntes que precisam atravessar o troço alagado recorrem a este serviço alternativo. Dessa forma, jovens da comunidade passaram a oferecer o transporte manual como meio de garantir a travessia em segurança. Assim, a chuva, embora tenha causado transtornos, acabou por gerar uma oportunidade de rendimento para alguns residentes locais.
Serviço improvisado torna-se única alternativa
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De acordo com informações recolhidas no local, nenhuma viatura consegue atravessar o troço inundado sem riscos elevados. Por esse motivo, o transporte às costas tornou-se a única opção viável para quem precisa circular entre Mulotana e Malhampsene. Nesse sentido, os jovens que prestam o serviço demonstram conhecer bem o terreno e os pontos mais seguros para a travessia.
Além disso, o valor cobrado varia conforme o percurso. Atualmente, cada travessia custa 50 meticais por pessoa. No entanto, para quem precisa fazer o trajeto de ida e volta, o custo sobe para 100 meticais. Assim sendo, o serviço passou a ter uma tabela informalmente estabelecida.
Realidade confirmada no local
A equipa da Miramar esteve no local e constatou que o transporte improvisado funciona de forma contínua ao longo do dia. Desde as primeiras horas da manhã, dezenas de pessoas recorrem ao serviço para chegar ao trabalho, à escola ou a outros compromissos. Dessa maneira, a “neneca” tornou-se parte da rotina diária durante o período chuvoso.
Ao mesmo tempo, os jovens que prestam o serviço assumem riscos físicos significativos. Ainda assim, afirmam que esta é uma das poucas formas de garantir algum rendimento enquanto as chuvas persistem. Consequentemente, a atividade ganhou adesão rápida.
Criatividade comunitária diante das dificuldades
A situação em Mulotana evidencia, mais uma vez, a criatividade das comunidades locais diante da falta de infraestruturas adequadas. Quando as estradas ficam intransitáveis, os moradores procuram soluções práticas para contornar os obstáculos. Assim, a “neneca” surge como resposta direta à ausência de alternativas formais de transporte.
Por outro lado, esta realidade também revela fragilidades estruturais persistentes. Em épocas chuvosas, várias vias de acesso tornam-se impraticáveis, isolando comunidades inteiras. Dessa forma, situações como a de Mulotana repetem-se em diferentes pontos do país.
Impacto económico e social da situação
Embora improvisado, o serviço de transporte às costas gera impacto económico imediato. Para os jovens envolvidos, os 50 meticais por travessia representam uma fonte essencial de subsistência. Além disso, a atividade ajuda a manter a circulação de pessoas e bens, ainda que de forma limitada.
No entanto, para muitos moradores, o custo adicional pesa no orçamento diário. Especialmente para quem precisa atravessar o troço mais de uma vez por dia, o valor acumulado torna-se significativo. Assim, a situação reforça desigualdades e dificuldades já existentes.
Desafios de mobilidade durante a época chuvosa
A inundação da estrada entre Mulotana e Malhampsene volta a chamar atenção para os desafios de mobilidade em períodos de chuva. Todos os anos, comunidades enfrentam problemas semelhantes devido à falta de drenagem adequada e manutenção das vias. Consequentemente, a circulação segura fica comprometida.
Nesse sentido, especialistas defendem investimentos urgentes em infraestruturas resilientes às mudanças climáticas. Dessa maneira, seria possível reduzir o impacto das chuvas intensas e garantir o acesso contínuo às comunidades.
Uma solução temporária à espera de respostas duradouras
Enquanto não surgem soluções estruturais, a “neneca” continua a ser a alternativa disponível em Mulotana. Por agora, moradores dependem da força física dos jovens para atravessar o troço alagado. Entretanto, a expectativa é que as autoridades intervenham para restabelecer a circulação normal.
Por fim, a situação serve de alerta sobre a urgência de melhorar as condições de acesso nas zonas periféricas. Até lá, a criatividade comunitária continuará a preencher lacunas deixadas pela falta de infraestruturas adequadas.

