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Deputado do PL registrou venda de imóvel 11 dias após PF encontrar R$ 430 mil em dinheiro vivo

Brasília — O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), só registou a venda de um imóvel 11 dias depois de a Polícia Federal encontrar R$ 430 mil em dinheiro vivo num endereço ligado ao parlamentar. O intervalo temporal entre os dois factos levanta dúvidas adicionais sobre a origem do montante apreendido.

Dinheiro apareceu antes da formalização da venda

A Polícia Federal localizou o dinheiro no dia 19 de dezembro de 2025, durante uma operação que investiga o desvio de recursos públicos provenientes de cotas parlamentares. Os agentes encontraram os valores em espécie num flat alugado por Sóstenes Cavalcante, situado na região central de Brasília.

Logo após a apreensão, o deputado afirmou que o dinheiro resultava da venda de um imóvel em Ituiutaba, no estado de Minas Gerais. No entanto, documentos oficiais mostram que o cartório só formalizou a escritura pública da transação no dia 30 de dezembro, quase duas semanas depois da ação policial.

Deputado tenta justificar diferença de datas

Em declarações ao portal Metrópoles, Sóstenes Cavalcante explicou que assinou o contrato de compra e venda no dia 24 de novembro, portanto antes da operação da PF. Além disso, garantiu que a lei lhe permitia lavrar a escritura até ao fim de 2025.

Ainda assim, especialistas em direito imobiliário alertam que a ausência de registo imediato dificulta a comprovação da origem lícita dos recursos, sobretudo quando grandes quantias surgem em dinheiro vivo e no contexto de uma investigação criminal.

Detalhes da negociação imobiliária

Segundo o próprio deputado, ele comprou o imóvel após as eleições de 2022 e vendeu-o recentemente por R$ 500 mil. O comprador foi o advogado Thiago de Paula, que, de acordo com a escritura, efetuou o pagamento integralmente em espécie.

Esse detalhe chama atenção porque transações desse valor costumam ocorrer por via bancária. Além disso, o uso de dinheiro vivo reduz a rastreabilidade financeira, o que aumenta o interesse das autoridades pelo caso.

Cláusulas incomuns chamam atenção

A escritura apresenta cláusulas consideradas pouco usuais no mercado imobiliário. O documento indica que o imposto de transmissão do imóvel não foi pago antes da assinatura. Além disso, o comprador dispensou a exigência de certidão fiscal municipal.

O contrato também excluiu a apresentação de certidões cíveis e criminais do vendedor junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Embora a lei permita essas dispensas, juristas explicam que tais práticas reduzem garantias básicas de segurança jurídica.

Investigação segue sem conclusões

Diante desses elementos, investigadores avaliam se a venda do imóvel serviu apenas como explicação posterior para justificar valores cuja origem permanece sob suspeita. Até ao momento, a Polícia Federal não informou se considera a versão apresentada pelo deputado suficiente.

Por sua vez, a defesa de Sóstenes Cavalcante afirma que todos os rendimentos possuem origem lícita. O parlamentar garante que irá apresentar documentação complementar às autoridades sempre que solicitado.

Impacto político e pressão pública

Como líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes ocupa uma posição estratégica no Congresso Nacional. Por isso, o episódio gera desconforto dentro do próprio partido e alimenta críticas da oposição, que cobra mais transparência e rigor no uso de recursos públicos.

Enquanto a investigação prossegue, o caso reacende o debate sobre a recorrente presença de grandes somas em dinheiro vivo em apurações envolvendo agentes políticos. Além disso, o episódio expõe fragilidades nos mecanismos de controlo patrimonial no país.

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