A estudante Any Lucía López Belloza, de 19 anos, planeava viajar de Boston para o Texas para passar o Dia de Ação de Graças com a família. No entanto, as autoridades de imigração detiveram-na no aeroporto e deportaram-na para as Honduras, país de origem da família. Quase dois meses depois, a administração Trump reconheceu que a deportação ocorreu por erro e apresentou um pedido formal de desculpas.
O caso gerou forte polémica nos Estados Unidos, sobretudo porque os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ignoraram uma ordem judicial de emergência que impedia a remoção da jovem do país.
Detenção no aeroporto de Boston
López Belloza estudava na Babson College, em Wellesley, nos arredores de Boston. No dia 20 de novembro, dirigiu-se ao aeroporto para embarcar num voo com destino a Austin, no Texas. No entanto, agentes do ICE interceptaram-na antes do embarque e colocaram-na sob custódia.
Dois dias depois, as autoridades deportaram a jovem para as Honduras. A ação ocorreu apesar de uma ordem judicial emitida a 21 de novembro, que determinava a permanência da estudante nos Estados Unidos por pelo menos 72 horas, enquanto o tribunal analisava o caso.
Governo admite erro e pede desculpas
Durante uma audiência recente, o procurador-adjunto dos Estados Unidos, Mark Sauter, reconheceu o erro cometido pelas autoridades. Em nome do governo, apresentou desculpas formais ao tribunal e à estudante.
Segundo Sauter, um agente do ICE cometeu um erro involuntário. O procurador frisou que não se tratou de um ato intencional de desrespeito a uma ordem judicial, mas sim de uma falha individual.
Em entrevista à CNN, López Belloza afirmou que aceita o pedido de desculpas. Ainda assim, descreveu as horas que passou detida como traumáticas e difíceis de suportar.
Disputa legal continua
Apesar do reconhecimento do erro, a administração Trump sustenta que a deportação foi legal. O governo argumenta que um juiz de imigração ordenou a deportação de López Belloza e da mãe em 2016, decisão confirmada por um tribunal de recurso em 2017.
No entanto, advogados e organizações de defesa dos direitos humanos sublinham que a existência dessa decisão não anula a obrigação de cumprir ordens judiciais em vigor no momento da detenção.
Vida interrompida nas Honduras
López Belloza vive nos Estados Unidos desde 2014, quando a família deixou as Honduras. Atualmente, permanece no país centro-americano, onde vive com os avós e frequenta as aulas de forma remota.
A jovem afirma que o seu principal desejo é regressar aos Estados Unidos para retomar os estudos presenciais e reunir-se novamente com os pais.
Família relata intimidação
Segundo o New York Times, a família da estudante enfrentou episódios de intimidação após a deportação. No início de dezembro, agentes do ICE à paisana deslocaram-se à casa dos pais da jovem, em Austin.
Um dos agentes avançou na direção do pai de López Belloza. No entanto, não chegou a detê-lo, pois este conseguiu refugiar-se dentro de casa.
Pedido de repatriação em tribunal
Na última sexta-feira, o advogado da estudante, Todd Pomerleau, apresentou uma nova ação judicial. O pedido exige que o governo norte-americano apresente um plano concreto para repatriar López Belloza.
Para o advogado, o pedido de desculpas, embora raro, não resolve a situação. “Um pedido de desculpas sem reparação é um pedido de desculpas vazio”, afirmou.
O caso continua sob análise judicial e mantém-se como mais um episódio controverso da política de imigração norte-americana.

