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Museveni reforça dinastia no Uganda ao eleger irmão de 88 anos para o Parlamento

O Uganda voltou a dar sinais claros de consolidação do poder familiar. O general Moses Ali Museveni, de 88 anos, irmão do Presidente Yoweri Museveni, foi eleito deputado pelo partido no poder, num processo eleitoral que reacendeu críticas sobre a falta de alternância política no país.

Yoweri Museveni, de 86 anos, governa o Uganda há cerca de quatro décadas. Ao longo desse período, eleições sucessivas enfrentaram contestação da oposição e de organizações da sociedade civil, que denunciam irregularidades, repressão política e limitação das liberdades civis.

Uma presidência marcada pela concentração de poder

A eleição de Moses Ali Museveni reforça a perceção de que o poder político no Uganda permanece concentrado num círculo restrito ligado à família presidencial. Além disso, críticos apontam que a presença de familiares em cargos estratégicos enfraquece a credibilidade das instituições democráticas.

Embora o partido governamental defenda a legitimidade do processo eleitoral, observadores independentes sublinham que o contexto político favorece amplamente os candidatos ligados ao regime.

Bobi Wine mantém pressão da oposição

Entretanto, o músico e político Bobi Wine continua a afirmar-se como a principal voz da oposição. De forma consistente, ele denuncia abusos de poder, repressão contra opositores e a ausência de reformas políticas estruturais.

Além disso, Bobi Wine defende uma abertura democrática real, com eleições livres e transparentes. Contudo, as autoridades frequentemente limitam as suas atividades políticas, o que agrava o clima de tensão no país.

Democracia sob questionamento

O cenário político ugandês permanece marcado por debates intensos sobre democracia, sucessão e direitos civis. Por um lado, o Governo insiste na estabilidade como prioridade. Por outro, críticos alertam que a permanência prolongada no poder compromete o futuro democrático do país.

Assim, a eleição do irmão do Presidente para o Parlamento surge como mais um episódio que alimenta acusações de dinastia política. Para muitos analistas, o caso simboliza a dificuldade do Uganda em avançar para uma verdadeira alternância de poder.

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