Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) baleou um jovem na noite de segunda-feira, no bairro da Polana Caniço, na cidade de Maputo. Segundo relatos de testemunhas, o agente encontrava-se em alegado estado de embriaguez no momento do incidente.
De acordo com as informações recolhidas no local, o disparo ocorreu após o jovem se ter recusado a pagar o chamado “refresco”. Este termo é usado para designar um valor monetário exigido de forma ilícita durante abordagens policiais.
Abordagem policial terminou em violência
Testemunhas afirmam que três agentes da PRM abordaram o jovem por suspeitarem da existência de cannabis sativa, conhecida como “surruma”, na sua residência. No entanto, o jovem negou a acusação. Além disso, recusou qualquer pagamento para evitar represálias.
Após a recusa, a situação agravou-se rapidamente. Segundo os relatos, os agentes entraram à força na residência da vítima. Em seguida, confrontos estenderam-se para o interior da casa.
Agressões a familiares e disparos
Durante a invasão da residência, familiares do jovem terão sido agredidos. Entre as vítimas estariam as suas irmãs, incluindo uma criança de poucos meses de idade. Testemunhas descrevem o cenário como de descontrolo total e abuso de autoridade.
Segundo os relatos, os agentes efectuaram três disparos de arma de fogo. Um dos tiros atingiu o jovem, que caiu ferido no local.
Socorro tardio à vítima
Mesmo após o baleamento, os agentes envolvidos não prestaram socorro imediato à vítima. O disparo ocorreu por volta das 19 horas. No entanto, o jovem só recebeu assistência médica cerca de quatro horas depois, por volta das 23 horas.
Até ao momento, não há informações oficiais sobre o estado de saúde da vítima nem sobre eventuais medidas disciplinares contra os agentes envolvidos.
Conclusão
O caso reacende o debate sobre abuso policial e práticas ilícitas durante patrulhas em Moçambique. Portanto, a sociedade civil e moradores da Polana Caniço exigem esclarecimentos e responsabilização dos envolvidos.

