A possível introdução de um imposto no M-Pesa em Moçambique, bem como em serviços como E-Mola e no comércio electrónico, está a gerar forte preocupação em vários sectores da sociedade. Atualmente, milhares de moçambicanos dependem dessas plataformas para realizar pagamentos, receber salários informais e gerir pequenos negócios. Por isso, qualquer nova taxa sobre essas operações levanta dúvidas sobre o futuro da inclusão financeira no país.
Pagamentos móveis tornaram-se essenciais
Nos últimos anos, os serviços de pagamento móvel cresceram de forma rápida em Moçambique. Muitas pessoas utilizam o telefone para enviar dinheiro, pagar contas e comprar produtos. Além disso, pequenos comerciantes usam essas plataformas para receber pagamentos dos clientes. Portanto, a aplicação de um imposto no M-Pesa em Moçambique pode aumentar diretamente o custo dessas operações e afectar o orçamento de milhares de famílias.
Ao mesmo tempo, muitos cidadãos questionam o impacto dessa medida sobre o poder de compra. Com o aumento do custo de vida e do desemprego, qualquer valor adicional cobrado em transações diárias torna-se um peso significativo. Assim, cresce o receio de que o novo imposto dificulte ainda mais a vida de quem já enfrenta dificuldades económicas.
Jovens empreendedores e negócios online em risco
Além dos utilizadores comuns, os jovens empreendedores digitais também sentem-se ameaçados. Muitos deles sobrevivem de vendas feitas através das redes sociais, serviços online e pequenos negócios virtuais. No entanto, o imposto no M-Pesa em Moçambique poderá reduzir as suas margens de lucro e desmotivar novas iniciativas na área digital. Consequentemente, o país perde oportunidades de crescimento económico e criação de emprego.
Por outro lado, estes jovens afirmam que o Governo ainda não conseguiu garantir uma internet acessível e de qualidade. Moçambique continua a ter uma das conexões mais caras do continente africano. Sendo assim, tributar as transações digitais sem melhorar a infraestrutura tecnológica parece, para muitos, uma medida injusta e contraditória.
Falta de transparência gera desconfiança
Outro ponto que gera indignação é a falta de informação clara sobre o destino das receitas arrecadadas. Muitos cidadãos perguntam: onde será aplicado o dinheiro proveniente do imposto no M-Pesa em Moçambique? Até agora, não existem garantias de que esses valores serão direcionados para áreas como saúde, educação, transporte ou melhoria da conectividade nacional.
Por isso, aumenta a pressão para que as autoridades apresentem dados concretos, relatórios públicos e planos de investimento transparentes. Afinal, sem prestação de contas, a população vê o imposto apenas como mais uma forma de exploração, e não como um instrumento para o desenvolvimento do país.
A necessidade de diálogo e soluções sustentáveis
Diante desse cenário, especialistas defendem a abertura de um diálogo amplo com a sociedade. É fundamental ouvir jovens, comerciantes, associações e especialistas em economia digital. Com esse diálogo, seria possível avaliar alternativas mais justas, como a redução do custo da internet, o incentivo ao empreendedorismo e a criação de políticas públicas que fortaleçam a economia digital.
Num mundo cada vez mais tecnológico, Moçambique precisa encarar a inovação como uma oportunidade de desenvolvimento. Em vez de travar o crescimento com mais impostos, o país pode optar por investir em educação digital, infraestruturas e inclusão financeira. Dessa forma, a tecnologia deixa de ser um problema e passa a ser uma solução real para o futuro de milhares de jovens.

