Bernardino Rafael e Pascoal Ronda ouvidos na PGR novamente, na manhã desta terça-feira, no âmbito do processo movido por organizações da sociedade civil. O caso está ligado às mortes e agressões registadas durante as manifestações pós-eleitorais.
O antigo comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) e o ex-ministro do Interior deslocaram-se à Procuradoria-Geral da República para prestar esclarecimentos. Entretanto, o processo continua a gerar forte debate político e jurídico no país.
Segunda audição de Bernardino Rafael e Pascoal Ronda na PGR
Importa recordar que esta é a segunda vez que Bernardino Rafael e Pascoal Ronda ouvidos na PGR no mesmo processo. Em Julho de 2025, as autoridades já tinham convocado os dois antigos responsáveis, embora em dias separados.
Na altura, Bernardino Rafael compareceu a 7 de Julho. Por sua vez, Pascoal Ronda foi ouvido a 10 de Julho. Agora, regressam à instituição para novos esclarecimentos, o que indica que o processo evolui para uma fase mais aprofundada.
Plataforma DECIDE insiste na responsabilização
A Plataforma DECIDE lidera o processo e, por conseguinte, exige responsabilização dos antigos dirigentes. Segundo o presidente da organização, Wilker Dias, o caso registou avanços desde Novembro de 2024, quando a queixa foi formalmente submetida.
“Desde Novembro de 2024 já houve avanços significativos em termos de audições. Assim, acreditamos que até ao fim deste ano haverá maior clareza sobre se ambos serão ou não constituídos arguidos”, afirmou Dias.
Além disso, a organização sustenta que as operações policiais resultaram em mais de 400 mortes, bem como em agressões e desaparecimentos. Por essa razão, defende que o Ministério Público deve apurar responsabilidades individuais.
Audições decorreram de forma discreta
De acordo com Wilker Dias, as audições ocorreram por volta das 7 horas da manhã. Ainda segundo a mesma fonte, o acto decorreu longe dos holofotes, sem grande exposição mediática.
Num momento considerado decisivo para o processo, Bernardino Rafael e Pascoal Ronda ouvidos na PGR voltam ao centro do debate nacional. Entretanto, o desfecho dependerá das conclusões do Ministério Público nos próximos meses.
(O PAÍS)

