InicioECONOMIACheias, impostos e contradições: quando o Estado pressiona quem tenta sobreviver

Cheias, impostos e contradições: quando o Estado pressiona quem tenta sobreviver

Crise climática versus pressão fiscal

Os problemas deste país parecem não ter fim. Enquanto milhares de famílias enfrentam inundações, perdas materiais e risco à vida, o Estado mantém o foco em aumentar cobranças sobre pequenos operadores económicos.

As cheias destroem casas, lavouras e meios de subsistência. Ainda assim, muitas decisões públicas ignoram este cenário de emergência social e económica.

Licenças e impostos sobre os mesmos agentes

carga fiscal sobre agentes de carteiras móveis
carga fiscal sobre agentes de carteiras móveis

Por um lado, alguns municípios cobram licenças que chegam a 1.750 meticais aos agentes da e-Mola e da M-Pesa. Por outro, a Autoridade Tributária aplica uma retenção de 10% sobre os rendimentos desses mesmos agentes.

Essas medidas acumulam-se num contexto de desemprego elevado e fragilidade económica. Como resultado, o peso recai sempre sobre quem tem menos capacidade de resistência financeira.

Quem está a ser combatido?

Diante deste cenário, surge uma questão inevitável: afinal, estamos a combater quem? Em vez de proteger quem presta serviços essenciais, o Estado parece penalizar os próprios cidadãos.

Os agentes de carteiras móveis garantem acesso a serviços financeiros básicos. Eles operam em bairros, mercados e zonas rurais onde os bancos não chegam.

A realidade dos pequenos operadores

Na maioria dos casos, estes agentes não são grandes empresários. São jovens, chefes de família e pequenos empreendedores que dependem desta atividade para sobreviver.

Apesar disso, enfrentam taxas municipais, impostos, retenções automáticas e custos operacionais elevados. Muitas vezes, o lucro desaparece antes de cobrir despesas básicas.

Inclusão financeira em risco

O discurso oficial fala de inclusão financeira e independência económica. No entanto, na prática, as decisões fragilizam a base desse sistema.

Sem proteção e sem diálogo, muitos agentes ponderam abandonar a atividade. Com isso, milhões de cidadãos podem perder o acesso a serviços financeiros simples.

Independência económica em debate

Num momento que exige solidariedade e apoio à economia informal, as decisões seguem no sentido oposto. Em vez de aliviar, agravam a pressão.

Assim, a pergunta permanece incômoda: esta é a independência económica pela qual se lutou? Ou estamos apenas a criar novos mecanismos internos de exclusão?

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