Antigo Presidente recorda história de resistência ligada às cheias de 2000 no vale do Limpopo
O Gabinete do antigo Presidente da República, Joaquim Alberto Chissano, manifestou profundo pesar pelo falecimento de Rosita Mabuiango, ocorrido na manhã desta segunda-feira, no distrito de Chibuto, província de Gaza, em consequência de doença. Através de uma mensagem de condolências, o antigo Chefe do Estado lamentou a perda daquela que considerava sua afilhada, sublinhando o impacto simbólico da sua história para o país.
Segundo a nota divulgada, a morte de Rosita representa uma perda que ultrapassa o âmbito familiar. Dessa forma, Joaquim Chissano considera que o desaparecimento físico da jovem toca igualmente toda a Nação moçambicana, dada a forma como a sua vida se encontra associada a um dos períodos mais difíceis da história recente do país.
Uma história ligada a um dos momentos mais dramáticos do país
Na mensagem, o antigo Presidente recorda que Rosita se tornou conhecida a nível nacional e internacional após ter nascido em circunstâncias consideradas excecionais. Na altura, durante as cheias de 2000 no vale do Limpopo, a sua mãe, Carolina Chirindza, deu à luz em cima de uma árvore, onde se encontrava refugiada há cerca de quatro dias.
Esse episódio ocorreu num contexto de devastação provocada pelas inundações que afetaram severamente o distrito de Chibuto, bem como várias outras zonas da província de Gaza e de diferentes regiões do território nacional. Assim, o nascimento de Rosita passou a simbolizar resistência, esperança e sobrevivência em meio à tragédia.
Rosita como símbolo de esperança nacional
Desde então, a imagem de Rosita ficou associada à capacidade de superação do povo moçambicano. Por isso, Joaquim Chissano destaca que a sua história está profundamente enraizada na memória coletiva do país. Dessa maneira, a sua morte reacende recordações de um período marcado por perdas humanas, destruição de infraestruturas e enormes desafios sociais.
Além disso, o antigo Chefe do Estado sublinha que Rosita representava a esperança que emergiu num dos cenários mais adversos vividos por Moçambique. Consequentemente, a sua partida é sentida como um momento de reflexão sobre a resiliência nacional e o dever de proteger os mais vulneráveis.
Ligação pessoal de Joaquim Chissano a Rosita
Joaquim Chissano manteve uma ligação próxima com Rosita ao longo da sua vida, considerando-a sua afilhada. Nesse contexto, o antigo Presidente acompanhou, ainda que à distância, parte do percurso da jovem, cuja história sempre esteve associada à solidariedade nacional e internacional que marcou o período pós-cheias.
Assim, a mensagem de pesar assume também um caráter pessoal, refletindo a dor de quem perdeu alguém com quem mantinha laços afetivos. Ao mesmo tempo, reforça a dimensão simbólica da figura de Rosita para a sociedade moçambicana.
Palavras de conforto à família e à comunidade
No encerramento da mensagem, Joaquim Chissano endereça palavras de conforto à família enlutada e à comunidade local. De forma clara, o antigo Presidente expressa solidariedade num momento de dor e luto.
“À família enlutada, bem como à comunidade do Chibuto, as minhas mais sentidas condolências”, refere a mensagem assinada pelo antigo Chefe do Estado. Dessa forma, Chissano associa-se às inúmeras manifestações de pesar que têm surgido um pouco por todo o país.
Comoção nacional em torno da morte de Rosita
A morte de Rosita Mabuiango gerou comoção nacional, reacendendo o debate sobre o acompanhamento social e as condições de vida de cidadãos que, apesar da notoriedade, continuam a enfrentar dificuldades significativas. Nesse sentido, várias figuras públicas e instituições têm manifestado pesar e solidariedade.
Por fim, a homenagem de Joaquim Chissano reforça a importância da memória histórica e do reconhecimento das histórias que marcaram o percurso do país. Entretanto, Rosita permanece na lembrança coletiva como um símbolo de vida que nasceu em meio à adversidade.

