Familiares acusam hospital de falta de sangue e expõem fragilidades do sistema de saúde local
A família de Rosita Pedro Mavuango, cidadã conhecida a nível nacional por ter nascido em cima de uma árvore durante as cheias de 2000, denunciou ter gasto mais de 20 mil meticais para adquirir sangue em Chibuto, na província de Gaza. Segundo os familiares, a despesa foi necessária devido à alegada falta do produto no hospital local no momento em que a paciente precisava de uma transfusão urgente.
De acordo com o relato, a situação ocorreu poucos dias antes da morte de Rosita, que esteve internada na maior unidade hospitalar da cidade. Dessa forma, o caso reacende o debate sobre as dificuldades enfrentadas pelo sistema de saúde, sobretudo nas zonas fora dos grandes centros urbanos.
Compra de sangue teria sido orientada por profissionais de saúde
No dia do funeral, os familiares tornaram públicas as acusações, afirmando que foram orientados por profissionais de saúde a comprar sangue fora do hospital. Nesse sentido, alegam que a unidade sanitária não dispunha do líquido vital no momento crítico do tratamento.
Além disso, a família explicou que o valor pago ultrapassou os 20 mil meticais, montante considerado elevado para uma família de recursos limitados. Assim, a denúncia gerou indignação entre membros da comunidade local, que questionam a capacidade do sistema público de responder a situações de emergência.
Morte de Rosita volta a expor fragilidades do setor da saúde
A morte de Rosita ocorre num contexto já marcado por polémicas e versões contraditórias sobre o seu acompanhamento médico. Por um lado, familiares afirmam que houve falhas graves no atendimento. Por outro, autoridades hospitalares referem que a paciente teria recebido alta, classificando o óbito como extra-hospitalar.
No entanto, a denúncia sobre a falta de sangue levanta novas questões. Consequentemente, organizações da sociedade civil defendem uma investigação aprofundada para apurar responsabilidades e esclarecer os factos.
Notoriedade nacional e condições de vida precárias
Rosita tornou-se conhecida em todo o país por alegadamente ter nascido em cima de uma árvore durante as cheias de 2000, um episódio amplamente divulgado pelos meios de comunicação social. Desde então, a sua história passou a simbolizar resistência e sobrevivência.
Entretanto, apesar da notoriedade, Rosita viveu os seus últimos anos em condições consideradas precárias. Embora o Governo tenha construído uma casa para a cidadã, familiares referem que a habitação era de pequenas dimensões e com limitações significativas. Dessa forma, a situação levanta questionamentos sobre o acompanhamento social prestado.
Governo afirma ter prestado apoio no passado
Recorde-se que, em declarações anteriores, autoridades locais afirmaram que o Governo apoiou Rosita com habitação e oportunidades de formação. Nesse contexto, responsáveis governamentais rejeitaram acusações de abandono total.
No entanto, críticos argumentam que o apoio institucional não foi suficiente para garantir condições dignas e acesso contínuo a serviços básicos. Assim, o caso volta a colocar em evidência a distância entre anúncios oficiais e a realidade vivida por cidadãos vulneráveis.
Família exige explicações e responsabilização
Abalada pela perda, a família de Rosita exige esclarecimentos sobre a alegada falta de sangue no hospital de Chibuto. Além disso, pede que sejam apuradas responsabilidades, caso se confirme negligência no atendimento.
Segundo os familiares, a compra de sangue não deveria ser uma obrigação dos pacientes num sistema público de saúde. Por essa razão, defendem mudanças estruturais para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
Rosita deixa uma filha menor
Rosita deixa uma filha menor de apenas cinco anos de idade, de nome Princesa. Dessa forma, a criança fica agora aos cuidados da família alargada, num contexto de fragilidade económica e emocional.
Por fim, o caso de Rosita continua a gerar comoção pública e debate nacional. Entretanto, a denúncia sobre a compra de sangue reforça as preocupações em torno do acesso equitativo aos cuidados de saúde e da proteção social dos cidadãos mais vulneráveis.

