Durante uma visita ao local, o governante mostrou-se visivelmente irritado com o que descreveu como “anarquia total” na gestão dos voos excepcionais. Segundo Matlombe, a situação ameaça comprometer uma operação criada para salvar vidas e garantir circulação mínima, depois do corte da Estrada Nacional Número Um (EN1) devido às cheias.
Desorganização coloca operação em risco
No terreno, o ministro encontrou passageiros amontoados, listas confusas, ausência de critérios claros de embarque e cidadãos que aguardam há vários dias por uma vaga. Para Matlombe, este cenário não resulta apenas da elevada procura, mas sobretudo da falta de disciplina e de controlo operacional.
“Estamos aqui para socorrer pessoas em situação de emergência, não para criar um caos ainda maior”, advertiu o ministro. Segundo ele, comportamentos desordenados colocam em risco toda a operação aérea montada de forma excepcional.
Além disso, Matlombe frisou que a continuidade dos voos depende do cumprimento rigoroso das regras estabelecidas pelas autoridades aeronáuticas e pela transportadora. Caso contrário, o Governo não hesitará em “puxar o travão”.
Voos criados para responder à crise das cheias
Os voos Maputo–Chongoene foram activados como resposta directa ao isolamento da província de Gaza, depois de as cheias destruírem vários troços da EN1 e de outras vias estratégicas. Desde então, milhares de cidadãos passaram a depender quase exclusivamente do transporte aéreo.
No entanto, a procura rapidamente ultrapassou a capacidade instalada. A limitação de aeronaves, aliada à pressão social e à fraca organização no terreno, transformou o aeroporto num foco permanente de tensão.
Governo responsabiliza actores locais
O ministro deixou claro que o Executivo não aceitará que uma operação humanitária seja desvirtuada por interesses individuais, favorecimentos ou ausência de liderança local. Segundo Matlombe, existem sinais claros de falhas na triagem de passageiros e no cumprimento das prioridades definidas.
“Se não houver ordem, não haverá voos. Simples assim”, afirmou o governante, atribuindo às estruturas locais a responsabilidade de repor imediatamente a disciplina.
População teme novo isolamento
Entretanto, a ameaça de suspensão dos voos gerou apreensão entre os cidadãos. Para muitos, a ligação aérea representa a única alternativa funcional para chegar a Maputo, seja para tratamento médico, abastecimento ou reencontro familiar.
Moradores ouvidos no local afirmam compreender a necessidade de organização. Ainda assim, alertam que a interrupção dos voos agravaria o sofrimento de populações já duramente afectadas pelas cheias.
Entre a emergência e a gestão
O episódio expõe, mais uma vez, fragilidades na gestão de crises em Moçambique. Medidas de emergência avançam rapidamente, mas a organização no terreno nem sempre acompanha a dimensão do desafio.
Enquanto isso, os céus de Gaza continuam carregados. Não apenas pelas nuvens da época chuvosa, mas também pela incerteza sobre até quando os voos de emergência continuarão a levantar voo.

